DIABETES E PROBLEMAS DE PELE

A pele é o órgão humano que está em contato direto com o ambiente e, portanto, exposta a fatores de estresse externos.

O diabetes mellitus é uma doença crônica caracterizada por elevada morbimortalidade decorrente das alterações micro e macrovasculares. Dentro dessas complicações estão as alterações das estruturas da pele, em função da presença de níveis elevados de glicose no sangue, um possível reflexo do acúmulo dos produtos finais de glicação (PFGs) incluindo a microvasculação, a matriz dérmica extravascular, a junção dermoepidérmica, a epiderme, folículos pilosos, e a hipoderme. A glicação da pele dá origem a macromoléculas que levam à diminuição da elasticidade e modificação das características físicas da derme em pacientes portadores de diabetes mellitus.

No entanto, com o aumento da idade, assim como na patologia do diabetes, a produção de energia e a atividade mitocondrial diminuem. Como consequência, as funções celulares e teciduais são prejudicadas e ocorrem alterações estruturais visíveis. Estes resultam nos sinais bem conhecidos de envelhecimento da pele, como por exemplo, o ressecamento, aparecimento de rugas e linhas, bem como a perda de elasticidade. 

As células da pele respondem ao seu ambiente de várias maneiras através da sinalização intracelular. A sinalização através RTKs (receptores com atividade tirosina quinase) muitas vezes promovem aumento do metabolismo e crescimento celular. A pele funciona como uma barreira bem caracterizada entre o corpo e o ambiente e proporciona a primeira linha de defesa imunológica contra infecções e lesões. Existe um extenso Crosstalk entre os tecidos epiteliais, estromais e células do sistema imunológico que desempenham um papel vital na manutenção da homeostase imune na pele. A resposta inflamatória desempenha um papel crítico na resistência e tolerância associada com a infecção, regeneração tecidual, desenvolvimento dos tumores e podem ser desencadeados por diversos estímulos como toxinas, lesões, venenos, alérgenos e agentes infecciosos. 

O Diabetes é uma síndrome de etiologia múltipla decorrente da deficiência ou disfunção das células β, produtoras de insulina, associada ou não com a incapacidade do hormônio exercer adequadamente seus efeitos tecido específico. O ressecamento da pele ou xerose é uma queixa comum entre diabéticos. É entendido como resultado do espessamento secundário da camada córnea com hidratação inadequada das camadas superiores e alteração da função de barreira da pele. Alguns autores correlacionaram essas alterações ao aparecimento ou detecção de macro e microangiopatia. Litzelman et al. descrevem que 82,1% dos pacientes diabéticos apresentam xerose com ou sem fissuras nos pés e que tais alterações podem levar a lesões de maior gravidade. Fissuras profundas e com difícil cicatrização podem ser em decorrência do diabete e podem evoluir para ulceração. A identificação e tratamento precoce de pacientes com alto risco de úlceras do pé diabético é crucial para reduzir a incidência de amputações nesta população. 

Têm sido propostas várias condições para explicar a aceleração das diversas comorbidades em pacientes com diabetes, incluindo o efeito toxico da glicose decorrente da hiperglicemia em tecidos e órgãos, envelhecimento, a formação acelerada de produtos finais de glicação avançada (AGEs), aumento do stress oxidativo, hipertrigliceridemia, uma proporção elevada de LDL / HDL, hiperinsulinemia e variantes genéticas. Assim, a hidratação inadequada e a subsequente alteração de barreira da pele podem ser fatores predisponentes às alterações posteriores. O estágio inicial de cicatrização de ferimentos inclui homeostase e ativação de células inflamatórias. O estágio intermediário envolve a proliferação e migração de queratinócitos, proliferação de fibroblastos, deposição de matriz extracelular e angiogênese. O estágio final da cicatrização envolve a remodelagem da matriz extra celular, resultando na formação de cicatrizes e recuperação da função de barreira da pele. Este processo espaço-temporal é rigorosamente controlado por vários tipos de células que secretam numerosos fatores de crescimento, citocinas e quimiocinas cuja finalidade é a recuperação funcional de barreira do epitélio.

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